ilha de Ícaro
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
tempo/espaço
a poesia não cabe na noite, porque não há tempo para a poesia, é preciso dormir, sonhar é preciso, é preciso morrer, pra poder acordar, e o relógio é impiedoso para com a poesia, o relógio é anti-poético... o suspiro, no entanto, é poesia vertida em sopro, é tempo emancipado, município lírico, língua sem palavras... a poesia não cabe na vida, pragmática, pontuda... mas a poesia é a vida, que não cabe em si...
Paulo Henriques Britto
Biodiversidade
Há maneiras mais fáceis de se expor ao ridículo,
que não requerem prática, oficina, suor.
Maneiras mais simpáticas de pagar mico
e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor.
Porém há quem se preste a esse papel esdrúxulo,
como há quem não se vexe de ler e decifrar
essas palavras bestas estrebuchando inúteis,
cágados com as quatro patas viradas pro ar.
Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica,
de repente é mais que isso, é uma voz, talvez,
do outro lado da linha formigando de estática,
dizendo algo mais que testando, testando, um dois três,
câmbio? Quem sabe esses cascos invertidos,
incapazes de reassumir a posição natural,
não são na verdade uma outra forma de vida,
tipo um ramo alternativo do reino animal?
Macau (2003)
Paulo Henriques Britto
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Mar Becker
“Amar uma mulher pela manhã amá-la enquanto nela as espáduas são tocadas pelo começo da manhã na hora breve. Quando ainda ninguém ergue a voz na cidade e toda palavra dita soa como oração”. Mar Becker, poetisa e escritora.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Drummond
Mono-no-aware
Mono-no-aware (物の哀れ) é uma expressão estética e filosófica japonesa que significa a "sensibilidade ou empatia pelas coisas". O termo traduz a consciência profunda da impermanência, uma melancolia suave ao perceber que todas as coisas são efêmeras, o que torna cada momento belo e precioso.
domingo, 9 de agosto de 2026
Manoel de Barros
"Deus deu a forma. Os artistas desformam. É preciso desformar o mundo: Tirar da natureza as naturalidades. Fazer cavalo verde, por exemplo. Fazer camponesa voar – como em Chagall."
Manoel de Barros



