domingo, 21 de junho de 2026

Manoel de Barros

"...Poesia é Voar fora da asa, É despencar sobre o mar, É envolver o universo no olhar..." Manoel de Barros

sábado, 20 de junho de 2026

nhack


 

Kierkegaard

“Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se”. Søren Kierkegaard

el reloj


 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

19 de junho

escrevo porque não cabes nesse dia, não cabes no meu pensamento... extrapolas, então, para o sonho, para a noite, para a pele, a palavra, o poema, para a minha língua do p, meu dialeto, dileto, arquitetado só pra falar de ti, língua do t, do m, do a, sobretudo do a... alfabetos inteiros que não dão conta, conto então com os dedos, tato é sempre fundamental, "conto com o tempo que meu relógio não conta", diria o poema, mas o poema nunca diz tudo, nunca conta tudo, em minha aritmética há sempre um pedaço teu, que se destaca do todo e preenche naquela hora o primeiro plano, um joelho, um joelho, cotovelo, umbigo, teu pensamento... esse pedaço metafísico que transborda o corpo e mira o infinito... há sempre algo que não cabe nesse dia

quinta-feira, 18 de junho de 2026

envy


 

Nuca


Que triste não dispor de uma palavra pra nuca... a palavra ajuda a construir o devaneio... pensar uma nuca, ou a nuca... eita
 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

escrever

escrever, como se ela fosse ler, como se eu pudesse alcançar as pontas dos dedos dela, como se o mundo fizesse sentido, como se o teclado enxergasse um nariz, como se as palavras sonhassem, como se o verbo delirasse, como se as estrelas sorrissem, como se eu soubesse escrever, como se para encontrar o que há para além das reticências...

Minha Delicadeza/Espumas Ao Vento – Ed & Bella e os Desgramados


 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

firmamento

firmamento é escrever teu nome com a linha do horizonte, desenhar beijo em nuvem

Yellow Embrace By MyheART


 

Carpinejar


 

domingo, 14 de junho de 2026

Apocalypse

domingo é comprido, vai até amanhã... cabem nele meus desejos por tua cintura e meus desejos por um apocalipse... e é escrever isso e cantarolar mentalmente "your lips, my lips. Apocalypse"... dá pra imaginar também a música da banda eva sobre o fim do mundo e a astronave... "me abraça pelo espaço de um instante", sempre adorei essa frase

Sérgio Gaiafi




 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Osvaldo Bossi

"Os poetas não sabem escrever. É precisamente por isso que eles escrevem. No outro dia, por exemplo, li um poema “impecável”. Não sobrava uma palavra, não faltava uma vírgula. Cada corte de verso foi o mais certo e não outro. Então pensei: Que bem escreve este poeta. Mas logo me perguntei, também: é isso? Escrever "bem" resume-se a questão? O estranho é que depois de ler, senti o contrário. Senti que de tão bem escrito estava mal escrito e que, de tão bom, era ruim. Como se a perfeição de um poema estivesse na sua imperfeição, diferente em cada poeta. Limpar muito um verso, lavar com lavandina, pode ser um erro fatal. Há poemas que morrem assim. Não esqueçamos que, para que um corpo viva, um pouco de micróbios e sujidade é essencial. O que me leva a pensar que, talvez (só talvez) a luta mais difícil não seja com a forma de um poema, mas contra nós mesmos. Nosso ego, querido Robin, mais uma vez. Eu entendo que um jovem poeta queira escrever como Shakespeare (a frase é de Borges) mas um senhor mais velho, que sabe que a morte existe e que tudo é esquecido... Por que não relaxar um pouco e escrever o pequeno poema que, se tivermos sorte, tivemos que escrever? Um poema “perfeito” é como aquelas casas imaculadas, especialmente aquelas cozinhas que parecem salas cirúrgicas onde ninguém se sentou para tomar um café. Nem muito menos fritou um par de milanesas e acompanhou-as com salada... Que os poemas são da vida, Robin, mesmo que falem da morte."
(Osvaldo Bossi em Querido Jovem Maravilha)

átomo por átomo

anoiteço mil vezes antes de, enfim, amanhecer em teu seio... morro em cada música brega, só pra reviver na curva da tua orelha... desfaço-me em cada poema, para que possa reconstituir-me, átomo por átomo, no som da tua voz, se ela pronuncia meu nome

domingo, 7 de junho de 2026

Paul Valéry

“Para um poeta não se trata nunca de dizer chuva, mas criar chuva”. - Paul Valéry

Caps Lock

sussurro AMOR em Caps Lock, 

caps, 

louco eu, 

por um joelho, 

e por que não dois?

um por vez

sábado, 6 de junho de 2026

Borges

Os poetas, como os cegos, enxergam no escuro”. (Jorge L. Borges)

Há, porém, os que preferem o tato.

David Sant


 

Fumi Yanagimoto


 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Clarice Lispector


 

palavra

te dou minha palavra, minhas palavras, uma por uma, em fila indiana, em multidão, em romaria, em procissão, em poema...

quarta-feira, 3 de junho de 2026

junho

se chove em junho, neste quadrado, tudo é possível... até reticência ganhar asas, emancipar-se, ir ter-se com teus acasos... e voltar, pra me dizer do teu nariz

Hermann Hesse


 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

nome

erro a palavra, só pra me aproximar do teu nome, e nem é de propósito, o que é mais sintomático... e vê como as palavras se conectam... qual é o papel, o propósito, da palavra, senão dizer teu nome? poetas nascerão, século após século, só pra dizer teu nome... até lá, digo eu, ou escrevo, pronuncio baixinho na fila do pão e na marcha para o banho... e sintomático vem de sentir, suponho eu, e palavra é, por ventura, coração lançado ao mar em barquinho de papel... guiado por estrelas, barquinho almeja teu nome

Fitzgerald