e te busco na rabiola da palavra, no caroço da pitomba, no biscoito da sorte chinês, na minha vez, de desejar, desde já, ser eu o cadarço do teu sapato, a pausa pro café da quarta-feira, o terço da tua fé, o sonho do teu cochilo , o tema do teu cochicho, e, se eu bicho, o dono do teu colo...
quarta-feira, 6 de maio de 2026
terça-feira, 5 de maio de 2026
segunda-feira, 4 de maio de 2026
nunca te pedi nada
nunca te pedi nada, salvo dois dedos, de prosa, e a mão, e uma volta do ponteiro dos segundos, das minhas intenções, que apontam, como bússola, pro teu calcanhar, dos minutos, gastos e gastos, via suspiro, esticados até o amanhecer, das horas, que ainda não inventaram um ponteiro para dias, nem para anos, e quiçá minha grande invenção para a humanidade venha ser um ponteiro que aponta para a eternidade, só pra eu ficar mirando teu nariz
domingo, 3 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
início de maio
Sai, e olha a Lua, como promessa de noite sem teto, como amor com testemunha, como poema que não carece de ensaio, como convite, como presente, como futuro, como lembrança de palavra de Drummond, como céu de Brasília, como sussurro que chega com a brisa, como início de maio
sexta-feira, 1 de maio de 2026
ei
labuto a palavra, centímetro por centímetro, distância pro teu calcanhar, de vogal em vogal, meus ais viram eis
quinta-feira, 30 de abril de 2026
quarta-feira, 29 de abril de 2026
terça-feira, 28 de abril de 2026
segunda-feira, 27 de abril de 2026
caroço
toda vez, alvoroço, caroço de seriguela, é ela, e meu coração goela acima, a rima que me falta, a falta que me sobra...
cada vez, alvorecer, caroço de pitomba, a bomba que bombeia meu sangue, e explode em verso, e sonha, e sonha, e sonha...
domingo, 26 de abril de 2026
sábado, 25 de abril de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
quinta-feira, 23 de abril de 2026
quarta-feira, 22 de abril de 2026
terça-feira, 21 de abril de 2026
cidade
dia de anos, céu de horizonte, Sol de pintura, pura, vontade de desenhar, no ar, tua cintura, em cada canto da cidade
Manoel de Barros
segunda-feira, 20 de abril de 2026
domingo, 19 de abril de 2026
preferências
prefiro pensar tua cintura, tecer palavras no ar, torcer o relógio, até pingar minutos de boca-aberta, prefiro trilhar a noite, em setas de direção torta, apontar pro teu nariz e encontrar meu sentido, direção do meu desejo, prefiro desejar tua orelha, ouvir trombetas celestiais, escutar tua voz bem de pertinho... prefiro preencher reticências em tarde de domingo
sábado, 18 de abril de 2026
sexta-feira, 17 de abril de 2026
quinta-feira, 16 de abril de 2026
quarta-feira, 15 de abril de 2026
caqui
Estação de caqui e eu caquisado, manhã, tarde e noite... gosto tanto de caqui, quase tanto quanto do teu nariz
terça-feira, 14 de abril de 2026
joaninha
De baixo pra cima, vejo o mundo, feito joaninha olhando o limoeiro... mas meu limoeiro é teu joelho, meu mundo, meu tabuleiro de jogo da vida, meu dicionário de desejos
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Alain de Botton
“As pessoas só ficam realmente interessantes quando começam a sacudir as grades de suas gaiolas”.
Alain de Botton
domingo, 12 de abril de 2026
sábado, 11 de abril de 2026
sexta-feira, 10 de abril de 2026
quem
Se aumento o tamanho da fonte, será que ela me lê? ou picho o muro da esquina, hackeio o sistema do banco, pro nome dela aparecer toda vez que alguém abrir o app... talvez um avião com uma faixa, ou a faixa nobre da tv, no horário do jornal... mas quem assiste jornal hoje em dia? e quem lê poema? e quem lê poema de amor? e haverá ainda quem escreva poema de amor?
quinta-feira, 9 de abril de 2026
quarta-feira, 8 de abril de 2026
terça-feira, 7 de abril de 2026
segunda-feira, 6 de abril de 2026
domingo, 5 de abril de 2026
domingo
sábado, 4 de abril de 2026
sexta-feira, 3 de abril de 2026
sexta-feira
meus pensamentos nada santos sobre teu umbigo pintam a sexta com cores de meu desejo... ou santos são, se sagrado é o desejo e santo o desejar...
quinta-feira, 2 de abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
1de abril
e não almejo teus tornozelos em noites de Lua, nem nas de não-Lua... não rabisco cada pedaço de papel com teu nome, bula do remédio do gato, papel de pão da padaria... não busco tuas vogais nas horas que precedem o sono, nem nas que sucedem... não sonho tuas consoantes em cada esquina, física e metafísica, de Iguatu a São José do Rio Preto... não pinto os sonhos que tem tua panturrilha como protagonista com as cores do meu desejo... e não versejo...
terça-feira, 31 de março de 2026
segunda-feira, 30 de março de 2026
verso
viro o verso do avesso
ave que voa no céu matinal
entranha do verso
inverso do verso
servo
sirvo pra quê?
serve pra quê, o meu verso?
se não for pra te ver
se não for pra te ter
passeia perdido por alamedas de meu pensamento
e meu pensamento
é teu nariz
domingo, 29 de março de 2026
sábado, 28 de março de 2026
Mia Couto
O Amor, Meu Amor
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.
Mia Couto, in "idades cidades divindades"














































