sábado, 23 de maio de 2026

subete


 

versar-se

sou versado em adorar teu tornozelo, e só hoje me ocorreu esse uso para verso... se pego o jeito da coisa, versar-me sobre teu tornozelo, viro o bichão da cara preta no tema, consigo virar o próprio verso? e, se pego o jeito, pego também teu tornozelo? 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

sobre falar

e falar contigo como falo com minha gata, em dialeto de Caetano, em tom de delírio, abraçando cada palavra, ninando cada sílaba

quinta-feira, 21 de maio de 2026

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Manoel de Barros

"Os bens do poeta: um fazedor de inutensílios, um
travador de amanhecer, uma teologia do traste, uma
folha de assobiar, um alicate cremoso, uma escória
de brilhantes, um parafuso de veludo e um lado
primaveril"
- Manoel de Barros, excerto "XII - Sábia com trevas", no livro "Arranjos para assobio" (1980), em 'Poesia completa: Manoel de Barros'. São Paulo: Editora Leya, 2010.

Nise da Silveira


 

terça-feira, 19 de maio de 2026

adereço

em meus sonhos de Maiakovski, eu namorava tuas pernas a versos... em meus delírios de poeta para além do tempo, eu devorava tua figura em retratos 3x4, em álbuns de figurinhas de pedaços de teu ser... em meus soluços de terça-feira, eu erigia praças de povo e céu, só pra plantar uma rosa que enfeitasse os teus cabelos...

sexta-feira, 15 de maio de 2026

besar con los ojos


 

Joaquim Monteiro

SEI-TE
“Beija-me o verso dos lábios
para que meu corpo te seja poema.
Vê-me na infinita luz do olhar
e atravessa comigo o silêncio das catedrais.
A luz preformada de enlevadas mãos
entrelaçadas pelas estrofes dos vitrais.
Diz-me que duas almas são um só corpo
numa página a descobrir vocábulos.
Sei-te nos olhares quando te perco.”
Joaquim Monteiro

quinta-feira, 14 de maio de 2026

súplica

ó divindade da palavra, alfabética santidade, chove sobre meu telhado, ó tempestade de sonho, raspa meu teclado, desagua em sopros de mil reticências, cambaleia em tatos de cem mil suspiros, ó senhora dos assombros, desaba sobre os meus escombros, pavimenta meus percalços, percebe os meu desejos, oração de um só verso: ela

Quintana



Danns Vega


 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

terça-feira, 12 de maio de 2026

Elisa Lucinda

Penetração do Poema das Sete Faces

(A Carlos Drummond de Andrade)

Ele entrou em mim sem cerimônias
Meu amigo seu poema em mim se estabeleceu
Na primeira fala eu já falava como se fosse meu
O poema só existe quando pode ser do outro
Quando cabe na vida do outro
Sem serventia não há poesia não há poeta não há nada
Há apenas frases e desabafos pessoais
Me ouça, Carlos, choro toda vez que minha boca diz
A letra que eu sei que você escreveu com lágrimas
Te amo porque nunca nos vimos
E me impressiono com o estupendo conhecimento
Que temos um do outro
Carlos, me escuta
Você que dizem ter morrido
Me ressuscitou ontem à tarde
A mim a quem chamam viva
Meu coração volta a ser uma remington disposta
Aprendi outra vez com você
A ouvir o barulho das montanhas
A perceber o silêncio dos carros
Ontem decorei um poema seu
Em cinco minutos
Agora dorme, Carlos.

Elisa Lucinda

segunda-feira, 11 de maio de 2026

sã consciência

e quem, em sã consciência, pensa cotovelos alheios, antes do desjejum e antes de dormir? mas quem é que tem sã consciência?

Sartre

“a função do escritor é fazer com que ninguém possa ignorar o mundo e considerar-se inocente diante dele. [...] Quem entra no universo dos significados não pode mais sair.”
— Jean-Paul Sartre, no livro “Que é a Literatura”. (Ed. Vozes; 1.ª edição [2015]).

domingo, 10 de maio de 2026

ronron

e o domingo ronrona, mas não... é minha gata, que enfrenta a noite voraz a meu lado... um ronron pode salvar um domingo

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Elvira Sastre


 

caos

dois pedaços de caos, vagando pela noite, morando em abraços, cabendo um no outro

Emily Dickinson

"Com a poesia eu habito a casa da possibilidade.  A poesia tem mais portas e Janelas que a casa da razão."

Emily Dickinson

quinta-feira, 7 de maio de 2026

quarta-feira, 6 de maio de 2026

colo

e te busco na rabiola da palavra, no caroço da pitomba, no biscoito da sorte chinês, na minha vez, de desejar, desde já, ser eu o cadarço do teu sapato, a pausa pro café da quarta-feira, o terço da tua fé, o sonho do teu cochilo , o tema do teu cochicho, e, se eu bicho, o dono do teu colo...

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Habita


 

nunca te pedi nada

nunca te pedi nada, salvo dois dedos, de prosa, e a mão, e uma volta do ponteiro dos segundos, das minhas intenções, que apontam, como bússola, pro teu calcanhar, dos minutos, gastos e gastos, via suspiro, esticados até o amanhecer, das horas, que ainda não inventaram um ponteiro para dias, nem para anos, e quiçá minha grande invenção para a humanidade venha ser um ponteiro que aponta para a eternidade, só pra eu ficar mirando teu nariz

domingo, 3 de maio de 2026

sábado, 2 de maio de 2026

início de maio

Sai, e olha a Lua, como promessa de noite sem teto, como amor com testemunha, como poema que não carece de ensaio, como convite, como presente, como futuro, como lembrança de palavra de Drummond, como céu de Brasília, como sussurro que chega com a brisa, como início de maio

Once in a Cafe - Viktor Bondarchuk


 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

felinos perdidos na noite


 

ei

labuto a palavra, centímetro por centímetro, distância pro teu calcanhar, de vogal em vogal, meus ais viram eis