sábado, 23 de maio de 2026
versar-se
sou versado em adorar teu tornozelo, e só hoje me ocorreu esse uso para verso... se pego o jeito da coisa, versar-me sobre teu tornozelo, viro o bichão da cara preta no tema, consigo virar o próprio verso? e, se pego o jeito, pego também teu tornozelo?
sexta-feira, 22 de maio de 2026
sobre falar
e falar contigo como falo com minha gata, em dialeto de Caetano, em tom de delírio, abraçando cada palavra, ninando cada sílaba
quinta-feira, 21 de maio de 2026
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Manoel de Barros
terça-feira, 19 de maio de 2026
adereço
segunda-feira, 18 de maio de 2026
domingo, 17 de maio de 2026
sábado, 16 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Joaquim Monteiro
quinta-feira, 14 de maio de 2026
súplica
ó divindade da palavra, alfabética santidade, chove sobre meu telhado, ó tempestade de sonho, raspa meu teclado, desagua em sopros de mil reticências, cambaleia em tatos de cem mil suspiros, ó senhora dos assombros, desaba sobre os meus escombros, pavimenta meus percalços, percebe os meu desejos, oração de um só verso: ela
quarta-feira, 13 de maio de 2026
terça-feira, 12 de maio de 2026
Elisa Lucinda
(A Carlos Drummond de Andrade)
Ele entrou em mim sem cerimônias
Meu amigo seu poema em mim se estabeleceu
Na primeira fala eu já falava como se fosse meu
O poema só existe quando pode ser do outro
Quando cabe na vida do outro
Sem serventia não há poesia não há poeta não há nada
Há apenas frases e desabafos pessoais
Me ouça, Carlos, choro toda vez que minha boca diz
A letra que eu sei que você escreveu com lágrimas
Te amo porque nunca nos vimos
E me impressiono com o estupendo conhecimento
Que temos um do outro
Carlos, me escuta
Você que dizem ter morrido
Me ressuscitou ontem à tarde
A mim a quem chamam viva
Meu coração volta a ser uma remington disposta
Aprendi outra vez com você
A ouvir o barulho das montanhas
A perceber o silêncio dos carros
Ontem decorei um poema seu
Em cinco minutos
Agora dorme, Carlos.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
sã consciência
e quem, em sã consciência, pensa cotovelos alheios, antes do desjejum e antes de dormir? mas quem é que tem sã consciência?
Sartre
domingo, 10 de maio de 2026
ronron
e o domingo ronrona, mas não... é minha gata, que enfrenta a noite voraz a meu lado... um ronron pode salvar um domingo
sábado, 9 de maio de 2026
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Emily Dickinson
"Com a poesia eu habito a casa da possibilidade. A poesia tem mais portas e Janelas que a casa da razão."
Emily Dickinson
quinta-feira, 7 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
colo
e te busco na rabiola da palavra, no caroço da pitomba, no biscoito da sorte chinês, na minha vez, de desejar, desde já, ser eu o cadarço do teu sapato, a pausa pro café da quarta-feira, o terço da tua fé, o sonho do teu cochilo , o tema do teu cochicho, e, se eu bicho, o dono do teu colo...
terça-feira, 5 de maio de 2026
segunda-feira, 4 de maio de 2026
nunca te pedi nada
nunca te pedi nada, salvo dois dedos, de prosa, e a mão, e uma volta do ponteiro dos segundos, das minhas intenções, que apontam, como bússola, pro teu calcanhar, dos minutos, gastos e gastos, via suspiro, esticados até o amanhecer, das horas, que ainda não inventaram um ponteiro para dias, nem para anos, e quiçá minha grande invenção para a humanidade venha ser um ponteiro que aponta para a eternidade, só pra eu ficar mirando teu nariz
domingo, 3 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
início de maio
Sai, e olha a Lua, como promessa de noite sem teto, como amor com testemunha, como poema que não carece de ensaio, como convite, como presente, como futuro, como lembrança de palavra de Drummond, como céu de Brasília, como sussurro que chega com a brisa, como início de maio
sexta-feira, 1 de maio de 2026
ei
labuto a palavra, centímetro por centímetro, distância pro teu calcanhar, de vogal em vogal, meus ais viram eis
















