sábado, 11 de agosto de 2007

olhos de ressaca

Sempre gostei da expressão que Bentinho criou para designar a Capitu, "olhos de ressaca", ficava imaginando que olhos seriam esses, que imagem traziam refletida, que sentimentos deveriam despertar tais olhos, mas confesso que prefiro que a expressão continue nublada, que ainda guarde toda uma infinidade de possibilidades. Da Vinci, há muito tempo atrás, já proclamava que os olhos são as janelas da alma, e não posso deixar de pensar que "olhos de ressaca" também signifiquem uma "alma de ressaca".

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Brave new world

Frequentemente somos lembrados, por algum fiel que bate à porta (sempre nas horas mais incovenientes), de que estamos à beira do apocalipse, de que os sinais são claros, os selos foram quebrados, as trombetas anunciadas, etc e tal... Esse papo é velho, mas que mundo é esse? Vez por outra me faço essa pergunta e me fascino com o modo como o homo sapiens se coloca perante as transformações que ele próprio provoca. Como se conhece uma pessoa nos dias de hoje? Digo conhecer no sentido de saber quem é, não no de encontrar alguém, que é outra coisa problemática... Enfim, como proceder? São os livros que a tal pessoa lê? Os filmes que o fulano ou fulana cultiva? As piadas que esse dasein escolhe contar, apropriadamente ou não?
Bom, ainda acredito que pode ser tudo isso, mas há um novo fator que me tem chamado a atenção. Nessas eras de internet, aonde o mundo vem em anexo, o "Favoritos" surge como uma representação online de vários desses fatores que nos fazem acreditar que conhecemos alguém. No favoritos temos uma idéia do que o sujeito (completamente cartesiano) gosta de ler, se é que gosta, temos uma representação completamente freudiana de como ele ou ela lida com a sexualidade, através da quantidade de sites pornôs que lá se encontram, ou da ausência dos mesmos, o que também é denunciador. Através do favoritos conhecemos os hobbies e fetiches, as neuras e angústias, o humor e o mau-humor da "vítima". É claro que isso não é via de regra, mas caso o internauta faça uso de seu favoritos e seja sincero para com os sites que visita, a tendência é a de que o favoritos seja bastante representativo quanto a personalidade desse internauta, e já seja um atalho para se "conhecer" uma pessoa. O método tradicional ainda funciona, mas "trocar favoritos" com alguém já pode significar muita intimidade, afinal você está mostrando sua alma em dados. rs Enfim, mostra-me teu favoritos e eu te direi quem és, ou não, já que no fim das contas pode não passar de besteira.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

segunda-feira, 30 de julho de 2007

A web é uma coisa incrível, permite que eu derrame, despeje, vomite, ou sei lá o que, essas linhas ébrias que ninguém é obrigado a digerir, e a coisa fantástica está bem aí, apesar de essas palavras pairarem num espaço tão virtual quanto meus prórpios desvarios, ninguém é obrigado a por seus olhos nisso. So... what's the fucking point? i dunno, really... why should i write these boring lines? Pq escrevê-las em meu português errado e pq acentuá-las, se a vida não tem acentos, passa num trem de carga? Well, the whole fucking thing doesn't make any sense at all, dakara... watashi... eto, eto... whatashi no nihongo sucks pra caralho...
acho que o bom de essas linhas estarem soltas é que podem ser sempre as últimas

sábado, 21 de julho de 2007

Sempre achei que, parando pra ouvir direito, a vida deve ter uma trilha sonora. Tá eu sei que deve ser particular, mas não consigo pensar de outra maneira, tenho que embalar meus sonhos e desilusões ao som de algo. No fim acho que tenho medo do som dos meus próprios pensamentos, mas pata que o pariu, acho que vou me acabar de ouvir Cazuza despejando seus segredos de liquidificador madrugada a dentro ou noite afora, sei lá, acho que tô bêbado, mas como não bebi porra nenhuma o doce de banana que estou traçando deve estar noiado.

terça-feira, 10 de julho de 2007

silent


Há dias em que só quero passear através de imagens

domingo, 1 de julho de 2007

Essa noite sonhei que o vento era brisa e veio soprar segredos de primavera ao meu ouvido, mas era inverno e eu tinha os pés no chão agora, não brincava mais de amarelinha na calçada alheia e ainda por cima sofria de insônia, o que queria dizer que já não sonhava a noite, então era delírio noturno de uma mente insone. Vai ver que sonhei de dia que sonhava a noite... e Ana Karenina em sua atemporal estação de trem me veio a cabeça. Sempre a imaginarei na estação, uma vida congelada na estação, como se lá estivesse até hoje, presa num intante, na eternidade de um instante. E a imagino com uma sombrinha roxa, presa na história com uma sombrinha roxa, e cada um prende os pés aonde pode.