segunda-feira, 6 de novembro de 2017
domingo, 5 de novembro de 2017
Esboço
Aos quatro cantos, eu rabisco janelas, rabisco maçanetas para portas que dão para poentes alhures. Se soubesse desenhar o teu busto... mas tudo o que sei é unir palavras, engatilhar palavras e atirá-las ao mar, tudo o que me foi permito saber é esse ensaio de palavras tortas que tropeçam em busca do teu quadril. Se uma dessas janelas se abrisse, tenho certeza de que mostraria o céu pintado de alaranjado que imagino ao divisar teu sorriso. Se uma dessas janelas se abrisse, talvez pulasse e trepasse no pé de manga que haveria de sustentar as mangas mais doces que o firmamento já vislumbrou. Se a maçaneta que dá para a porta que dá para um dos tantos infinitos que dá para a rua da padaria, se ela se abrisse, daria passagem a tantos pensamentos que haveriam de encher não uma caixa de e-mail, mas cadernos e cadernos repletos de minha letra infame, e cada um desses pensamentos construído, intrinsecamente, por uma rede de afluentes que rumariam inequivocamente para o teu colo. Mas o desenho diria tudo isso, se eu soubesse esboçar o teu busto, com cada linha, repleta de sensações, nessa fronteira sutil entre linha escrita e linha desenhada, em que uma diz o que a outra mostra e uma esconde o que a outra insinua. Em todo canto faço é traçar conjecturas mal redigidas que não fazem sequer justiça a um de teus sorrisos. A máquina fotográfica registra em um momento o que minhas palavras se batem para tentar esboçar miseravelmente, mediante mil e quinhentos vocábulos. Uma escultura retrataria com maior perfeição essa tua cintura, que minhas palavras tateiam, almejam, gaguejam e mal conseguem fazer menção. E, no entanto, tudo o que me resta é a palavra, que ri e chora, desdobra-se e busca um lar entre teus pensamentos.
sábado, 4 de novembro de 2017
busca-busca-busca
Te busco nas entrelinhas, na linha do horizonte, nas horas, nas horas, na letra da música triste, e alegre, em Porto Alegre, Belo Horizonte, no google, global position system, na sexta, no sábado, no salto, na curva, na tangente, tangerina, na rima, nas aliterações, nos vícios de linguagem, em meus cacoetes de escrita
cangote
Cangote figura certamente como a palavra mais extraordinária já inventada por nós como limitados seres. Só de pronunciá-la, baixinho, já levanta um calor que faz pensar em um almejado cangote pra dar um cheiro. Três sílabas sussurradas e os sentidos se aguçam, bate aquele arrepio que chega ao dedinho do pé, a doce fada dos ventos sopra suave uma dessas cantigas esquecidas pelo tempo e shazam!, a mágica se faz... o cangote encanta.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Cá
desemboca em mim, vai
depois de dobrar a esquina, dá de cara com meu refrão
aí boca de novo, só pra desembocar no meu abraço
abre a porta que te abro os olhos
tomo pelo braço
eu deságuo em ti
olho pela fechadura
suborno o cupido
pra ver se tu cai no meu colo
pende um pouquinho pra cá
que o cá sem tu é qualquer
é caso perdido
o aqui só se faz se tu faz meu sorriso
e cada verso é vontade de te morder
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
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