terça-feira, 11 de março de 2008
domingo, 9 de março de 2008
Maiakovski
“Teu corpo cuidarei e amarei, como o soldado, mutilado de guerra, inútil e sem dono, cuida da única perna”
Tenho que abrir uma certa excessão com relação a apreciação de poesia em uma língua da qual não tenho um mínimo conhecimento pra essa frase do Maiakovski. Adoro essa comparação, é tão forte, tão intensa, tão fantástica. É quinem esse trecho de "Ne me quitte pas"
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quite pas
Deixe que eu me torne
A sombra da tua sombra
A sombra da tua mão
A sombra do teu cão
Não me deixes
Tenho que abrir uma certa excessão com relação a apreciação de poesia em uma língua da qual não tenho um mínimo conhecimento pra essa frase do Maiakovski. Adoro essa comparação, é tão forte, tão intensa, tão fantástica. É quinem esse trecho de "Ne me quitte pas"
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quite pas
Deixe que eu me torne
A sombra da tua sombra
A sombra da tua mão
A sombra do teu cão
Não me deixes
sábado, 8 de março de 2008
suspiro
surro o teclado, dedos desesperados que se lançam ávidos sobre uma sopa de letrinhas. estranha equação essa, que me permite suspirar enquanto procuro enloquecidamente uma maneira de arrancar um suspiro desse maldito teclado
quinta-feira, 6 de março de 2008
causos do busão
Quando era pivete, estava eu num busão lotado, lá atrás, de pé ao lado de uma deficiente física que usava muletas, quando algum fdp começou a bolinar a desgraçada. Por algum motivo ela achou que era eu o bolinador, e começou a me dar cotoveladas, e eu completamente sem reação, e ainda por cima com medo de acharem que eu era bolinador de deficientes físicas e ser linchado pela multidão... tive de descer antes da parada pq a situação estava insustentável...
Outra vez um senhor, idoso, velho fdp, tentou afanar minha carteira na maior, na hora em que ele descia do ônibus, ao passar por mim, tentou puxar minha carteira, que só saiu até a metade... se o velho tivesse conseguido, eu descia ali mesmo e cobria o velho de bifa, mas aí mais uma vez corria o risco de ser linchado.
Uma outra vez, caminhava pelo Paço Municipal de São Bernardo umas onze da noite, quando um trombadão perguntou que horas eram, saquei na hora que ia tentar me assaltar, quando disse que não tinha relógio o fdp puxou minha blusa de frio, aproveitei o embalo do puxão e virei com um soco... nem olhei pra trás pra ver como ficou a situação do cara, saí correndo sem dó... chegando à parada, ofegante e nervoso, eis que está um outro trombadão tentando assaltar um garota... o cara pára o que estava fazendo e vêm até mim... "não quero te assaltar não, mas não vou mentir, eu quero quinze conto, e é pra usar droga mesmo... acabei de fugir da Febem e tô querendo quinze conto". Eu já tava fulo da vida pq tinha acabado de escapar de um assalto, e o fdp não me mostrou arma alguma, logo disse a ele (gaguejando de nervoso) que tinham acabado de tentar me assaltar e que eu não ia dar dinheiro pra ele porra nenhuma... pensei em empurrá-lo para o meio da pista, pra que talvez fosse atropelado, mas acabei apenas empurrando-o pra longe. Foi quando a coisa ficou feia, o puto não tava sozinho, de repente, do muro atrás da parada, pula um negão trombadão enorme... pensei "fudeu", mas como passava um ônibus bem na hora, entrei sem nem saber pra onde ia (aliás, eu e a menina que o fulo tentava assaltar antes de me abordar)... os desgraçados ficaram me jurando lá da parada, enquanto o ônibus partia e eu dava dedo pra eles. Esperei umas quatro paradas, pra garantir, e desci pra pegar o certo. Noite phoda...
Outra vez um senhor, idoso, velho fdp, tentou afanar minha carteira na maior, na hora em que ele descia do ônibus, ao passar por mim, tentou puxar minha carteira, que só saiu até a metade... se o velho tivesse conseguido, eu descia ali mesmo e cobria o velho de bifa, mas aí mais uma vez corria o risco de ser linchado.
Uma outra vez, caminhava pelo Paço Municipal de São Bernardo umas onze da noite, quando um trombadão perguntou que horas eram, saquei na hora que ia tentar me assaltar, quando disse que não tinha relógio o fdp puxou minha blusa de frio, aproveitei o embalo do puxão e virei com um soco... nem olhei pra trás pra ver como ficou a situação do cara, saí correndo sem dó... chegando à parada, ofegante e nervoso, eis que está um outro trombadão tentando assaltar um garota... o cara pára o que estava fazendo e vêm até mim... "não quero te assaltar não, mas não vou mentir, eu quero quinze conto, e é pra usar droga mesmo... acabei de fugir da Febem e tô querendo quinze conto". Eu já tava fulo da vida pq tinha acabado de escapar de um assalto, e o fdp não me mostrou arma alguma, logo disse a ele (gaguejando de nervoso) que tinham acabado de tentar me assaltar e que eu não ia dar dinheiro pra ele porra nenhuma... pensei em empurrá-lo para o meio da pista, pra que talvez fosse atropelado, mas acabei apenas empurrando-o pra longe. Foi quando a coisa ficou feia, o puto não tava sozinho, de repente, do muro atrás da parada, pula um negão trombadão enorme... pensei "fudeu", mas como passava um ônibus bem na hora, entrei sem nem saber pra onde ia (aliás, eu e a menina que o fulo tentava assaltar antes de me abordar)... os desgraçados ficaram me jurando lá da parada, enquanto o ônibus partia e eu dava dedo pra eles. Esperei umas quatro paradas, pra garantir, e desci pra pegar o certo. Noite phoda...
quarta-feira, 5 de março de 2008
Drummond sobre a ausência...
“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“
Drummond
dá quase vontade de abraçar a ausência de Drummond...
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“
Drummond
dá quase vontade de abraçar a ausência de Drummond...
segunda-feira, 3 de março de 2008
ausência
Algo que sempre me causou estranheza foi a definição de ausência. Que diabos é ausência? Como é que se define concretamente algo que em sua essência (palavra perigosa, essa) é o não ser, não estar? E buraco? que é buraco? É o pedaço que falta a algo? Mas aí não é buraco, é pedaço de algo.
Ausência é copo de pinga na mesa quando ela parte? buraco é tropeço de bêbado? ausência é segunda de manhã e sua cama vazia? A ausência é sensação? é a falta que te faz o dinheiro que o governo te roubou em cargas tributárias? é o peso daquelas mãos que ainda parecem pousar sobre seus ombros? O engraçado é que apesar de não conseguir definir, uma imagem alegórica me vêm a mente, a da seta wittegenstaniana que se lança errada sobre o mundo, mas isso continua não definindo porra nenhuma.
Ausência é copo de pinga na mesa quando ela parte? buraco é tropeço de bêbado? ausência é segunda de manhã e sua cama vazia? A ausência é sensação? é a falta que te faz o dinheiro que o governo te roubou em cargas tributárias? é o peso daquelas mãos que ainda parecem pousar sobre seus ombros? O engraçado é que apesar de não conseguir definir, uma imagem alegórica me vêm a mente, a da seta wittegenstaniana que se lança errada sobre o mundo, mas isso continua não definindo porra nenhuma.
- Houaiss

- ausência
- • substantivo feminino
- afastamento temporário de uma pessoa de seu respectivo domicílio, dos lugares que freqüenta etc.
- Rubrica: termo jurídico.
desaparecimento de um indivíduo de seu domicílio, reconhecido como tal através de sentença judicial
Obs.: cf. desaparecimento
- o não-comparecimento a compromisso, evento etc. ao qual se é esperado
- tempo em que se está ausente
Ex.: muita coisa aconteceu na sua a.
- inexistência, carência, falta
Ex.: a. de certos gêneros alimentícios nos supermercados
- Rubrica: neurologia, psicopatologia.
perda transitória de consciência, que freq. se observa na histeria e na epilepsia
- Rubrica: psicopatologia.
falha de raciocínio
- afastamento temporário de uma pessoa de seu respectivo domicílio, dos lugares que freqüenta etc.
domingo, 2 de março de 2008
Nem angústia heideggeriana, nem absurdo de Camus. Nem escolha sartreana e muito menos salto de Kierkegaard. Ontem cheguei a conclusão de que o momento mais tenebroso de mergulho na alma humana é a ressaca de tequila com cerveja. Aquilo é o zero-absoluto, é a vontade-de-não-ser, é a própria contemplação de Thanatos. E posso dizer que não é nada bonito ou glorioso.
Lendo Camus você têm a impressão de que o absurdo é algo belo, mas nessa ressaca o que se afigura é que a própria vida parece querer escapar pela garganta e ganhar as entranhas do vaso. Ou seriam suas entranhas que querem ganhar vida? Whatever... O que importa é que até Chronos parece querer tirar uma com a sua cara, afinal o relógio não anda, as horas se arrastam e sua cabeça gira em algum limbo ainda não nomeado por qualquer espécie de cientista, desses que adoram colocar o nome da própria esposa em tudo.
sábado, 1 de março de 2008
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